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Ilka
Lemos | Pintura | 100 x 120 cm
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ILKA
LEMOS
Ilka Lemos é uma nova estrela que brilha na constelação
da arte brasileira. Tendo nascido em Araçatuba, no
interior do Estado de São Paulo, numa família
de artistas pelo lado paterno, cresceu numa fazenda de café
em Valparaíso. Na década de 1970, depois de
freqüentar a Faculdade de Educação Artística
de Penápolis, viveu durante anos numa fazenda em Iuinhema,
no Mato Grosso do Sul.
O prolongado contato com a natureza desenvolveu em Ilka Lemos
o sentimento da liberdade, o que ela incorporou à pintura,
ao desenho e as técnicas mistas, e que confere a sua
obra características peculiares. |
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No
final dos anos 80, começou a mostrar sua produção
em exposições coletivas, realizando sua primeira
individual em 1993.
Residindo em Araçatuba e viajando regularmente para
São Paulo, teve oportunidade de desenvolver sua arte
trabalhando com consagrados artistas, entre os quais Sérgio
Fingermann. A partir de então, começou a alçar
vôos mais altos.
Em 2001, já com ateliê em São Paulo, colocou
na Web a mostra "O Rompimento da Fraternidade",
mas foi em 2002 que Ilka superou todas as suas marcas. Realizou
em São Paulo duas importantes individuais: "Signos
e Seres", no Conjunto Cultural da Caixa Econômica
Federal, e "Trégua", no Espaço Cultural
Conjunto Nacional, na Avenida Paulista.
Em "Seres e Signos", Ilka exibiu obras da série
onde harmoniza pinceladas gestuais com desenhos a nanquim
e grafite, colagens de documentos antigos, e também
sensuais e instigantes composições realizadas
com pastel seco. São obras de uma artista intuitiva,
que domina o instrumento de seu trabalho com uma poética
a flor da pele.
Parafraseando Octávio Paz, diríamos que Ilka
Lemos transforma o universo inteiro em imagens de seu desejo.
Faz isso porque imagina e porque imaginar é ir além
de si mesmo - como afirmou o poeta mexicano -, projetar-se,
transcender-se continuamente. Mas por que ela imagina?...
Imagina porque deseja...
O desejo é um dos gigantes da alma, sem ele nada acontece,
ou acontece burocraticamente. Quando instalou-se em seu ateliê,
no bairro de Santa Cecília, em São Paulo, sua
ambição de transformar o mundo em imagens aguçou-se
significativamente. Estava tomada de uma sensação
de coisas fortes e duradouras: "o espaço está
construído, bastam agora as paredes da confiança
e da determinação", pensou, em termos quase
épicos.
Ali desenhou muito, sem se dar conta de que exercia uma atividade
visceralmente ligada ao desejo. Desenhou como quem respira.
Só mais tarde veio a revelação de que
desenho deriva de desígnio, ou seja, de desejo. No
ateliê da rua Canuto do Val, criou colagens e colagens,
pinturas e pinturas, técnicas mistas, trabalhos em
grandes formatos.
Enock Sacramento
Membro da Associação Internacional de Críticos
de Arte
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